O desafio de aprender a respeitar o sono infantil

Foto: Gabrielle Gimenez

Dormir junto com as crias, embora seja algo inerente e natural da nossa espécie e algo que o bebê humano realmente precisa e espera ao nascer, é visto pela cultura ocidental industrializada como algo negativo ou a ser combatido.

Respeitar o tempo de amadurecimento da criança em relação ao sono, sem intervenções comportamentais ou técnicas de treinamento, e sua necessidade de contato próximo para segurança e auto-regulação, se transforma em um grande desafio, especialmente pela pressão social que sofremos. Por outro lado, o desmame precoce e/ou abrupto e deixar o bebê sozinho para que aprenda a se auto-consolar são vendidos como práticas vantajosas que promovem a independência da criança, numa inegável inversão de valores.

Cama compartilhada não é um item obrigatório do check list para a maternidade perfeita. Tem famílias que optarão por não praticá-la. E se todos estiverem bem com isso (incluindo o bebê) não há motivo para que seja diferente. Mas dormir juntos certamente facilita o descanso materno, especialmente no contexto da amamentação, permitindo que se dê de forma prolongada, e é uma forma fisiológica de acompanhar a criança no processo de evolução natural do sono. Os resultados serão tão mais positivos e consistentes quanto mais consciente for a escolha dos pais a ponto de permitir a prática da cama compartilhada de forma regular, num ambiente previamente preparado e seguro, com tranquilidade e sem culpa. Isso só será possível se a família puder escolher com base em informação confiável, livre de preconceitos culturais.

Acolher o ser humano indefeso, permitir que seja dependente quando mais precisa, é o que o fará ser seguro de si a ponto de poder abraçar a independência sem reservas ou medos no tempo oportuno. Dividir a cama ou o quarto e, mesmo na ausência destes, atender o bebê prontamente e de forma responsiva é uma ótima maneira de fazê-lo.

[Leia mais em: Cama Compartilhada: Sim ou Não?, 14 Verdades Sobre o Sono Infantil e Malefícios dos Treinamentos Precoces de Sono]


Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

Testo originalmente publicado no meu perfil do Instagram em 08 de junho de 2020.

4 comments

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  1. Rita de Cássia

    Até que um dia achei alguém que tivesse a mesma opinião que a minha! Eu faço cama compartilhada e ainda armamento, meu bebê tem um ano e meio, e estava me sentindo culpada por não conseguir tirar ele da minha cama. Todos me dizem que se eu não tirar será um adulto dependente e inseguro. CONFESSO, que tudo isso estava me fazendo mal, pois ainda não me sinto preparada para desmame e nem para tirar ele da minha cama, me sinto aliviada ao ler a sua postagem.Muito obrigada, por contribuir para uma maternidade mais tranquila e sem culpas!

  2. Luana

    Faço cama compartilhada e pra mim o mais difícil é lidar com a minha culpa e meu próprio preconceito. Fico pensando que estou “estragando” o amadurecimento do sono dele estando com o peito sempre a postos. Ele tem 2 meses e meio. Pega no sono sempre no peito, tanto de dia, quanto de noite. Sei que não existe associação negativa do peito, mas luto contra mim mesma, meus próprios pensamentos todos os dias.

    • gabriellegimenez

      Sim, é muito difícil derrubar alguns paradigmas culturais. A fase dos dois anos traz um desafio extra. Em muitos momentos eu me questionei se realmente estava fazendo a coisa certa. Porque eu acreditava na informação que havia estudado, mas o cansaço e o questionamento ao meu redor às vezes me faziam duvidar. Mas eu segui. E valeu a pena. A informação era correta. A fisiologia e a maturidade realizaram o seu papel e passamos de uma fase a outra de maneira natural. Espero que você encontre o equilíbrio e a paz para seguir adiante. Um abraço.

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