O sono infantil sob a perspectiva da amamentação

O sono infantil sob a perspectiva da amamentação
Foto: Gabrielle Gimenez

O sono é um processo evolutivo que vai se adequando às necessidades do ser humano ao longo do seu desenvolvimento maturativo, que é distinto em cada fase da sua vida.

Muitos dos problemas que como pais enfrentamos, segundo adverte o Dr. James McKenna, diretor do Mother-Baby Behavioral Sleep Laboratory da Universidade de Notre Dame, é que as recomendações ocidentais sobre o melhor modo de cuidar de bebês na realidade não tem nada a ver com bebês, e isso inclui as expectativas e recomendações em relação ao sono infantil. Talvez tenham tudo a ver com ideologias culturais e valores sociais ocidentais recentes, que refletem com mais precisão o que queremos que os bebês se tornem, e não o que eles realmente são e o que realmente precisam¹.

Pensando sobre o sono infantil desde a perspectiva da amamentação, é interessante notar que importantes processos e aquisições do sono ocorrem durante o período de amamentação que até recentemente respeitava a grande maioria das culturas ao longo da história (2 a 3 anos). E que a maturação do sono infantil equiparando-se ao do adulto culmina dentro do período estimado² de duração normal da amamentação na espécie humana³, ao redor dos 5 – 6 anos.

Enquanto nossa cultura, incluindo muitos profissionais da saúde, implicam com a amamentação e a cama compartilhada e atormentam os pais com as tais associações negativas do sono e toda a sorte de problemas futuros hipotéticos, o que podemos perceber é que a amamentação e o sono acompanhado continuam sendo a maneira mais fisiológica e respeitosa de apoiar os pequenos no seu processo de evolução natural do sono.

Esta tem sido minha experiência com os gêmeos, e é maravilhoso vê-los alcançar aos 4 anos a consolidação do padrão de sono sem intervenções externas, treinamento ou condicionamento comportamental de qualquer tipo. Mesmo ainda mamando pra dormir e tendo compartilhando cama desde o nascimento.


Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

Texto originalmente publicado no meu perfil do Instagram em 10 de setembro de 2019.

[Os gêmeos desmamaram definitivamente em janeiro deste ano aos 4 anos e 7 meses de forma natural e com o sono já consolidado. Pouco antes disso havíamos desfeito o formato de cama compartilhada como regra. A quarentena em virtude da pandemia pelo COVID-19 trouxe de volta os despertares noturnos e a prática da cama compartilhada de forma intermitente.]

¹James McKenna em entrevista a Arianna Huffington para o The Huffington Post. Leia a entrevista completa em português aqui.

² Com base em estudos antropológicos e etológicos, bem como diferentes testemunhos etnográficos, históricos e culturais, se estima que a idade do desmame natural na espécie humana do ponto de vista biológico seria entre os 2,5 e 7 anos.

³DETTWYLER, KATHERINE A PhD When to Wean: Biological Versus Cultural Perspectives, Clinical Obstetrics and Gynecology: September 2004 – Volume 47 – Issue 3 – p 712-723 doi: 10.1097/01.grf.0000137217.97573.01

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