Quem é sua tribo?

Quem é sua tribo no puerpério?
Foto: Elliana Allon

Nasce um bebê e nasce uma mãe. E estes nascimentos trazem consigo uma mistura de sentimentos, uma ebulição de hormônios e emoções, e, infelizmente, solidão. Não deveria ser assim. Nenhuma mãe deveria ser abandonada à própria sorte para criar seu filho. Mas já não vivemos em tribos e as estruturas familiares estão cada vez mais enxutas e fragilizadas. Nossa cultura preza o imediatismo, numa busca frenética pelo material. Como é possível viver o momento do puerpério num contexto como este sem enlouquecer por completo?

Conversando com mães no dia a dia é comum escutar queixas sobre a dificuldade de se identificar no novo corpo e na nova função. Sobre como as antigas amizades simplesmente desapareceram ou as que ainda permanecem não as compreendem. Como todos sempre tem algum palpite de como ela deveria cuidar do seu bebê, mas ninguém é capaz de oferecer ajuda real pra cuidar dela mesma. Fora a cobrança direta ou velada para que “ela volte a ser o que era” o mais rápido possível.

Não existe nada mais desconfortável e desconcertante do que uma puérpera com seu filho nos braços. As pessoas ou são muito duras com suas críticas e opiniões, ou as ignoram e as abandonam sob o falso pretexto de deixar espaço e não incomodarem. Revolução hormonal, privação de sono, desespero diante do novo e solidão são uma mistura pra lá de perigosa.

Mas o que nos resta? Buscar uma tribo. A companhia de outras mulheres que estejam vivendo o mesmo e que compartilhem os mesmos valores e as mesmas metas. Que não tenham medo de naturalizar o momento e aprender dele. Que se permitam ser transformadas. Nem que está tribo exista apenas no plano virtual. Precisamos de um lugar de fala seguro, para abrir o coração, falar dos nossos medos, perceber que não estamos sós nessa jornada, que não estamos loucas, que nossos bebês são completamente normais.

Quem é sua tribo? Quem está trilhando esse caminho com você? Como diz a escritora Laura Gutman é nesse contexto seguro de pertencer que “o puerpério deixa de ser um monstro temido e pode se tornar uma jornada mágica”.


Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

Fotografia de Elliana Allon @elliana_allon

Texto publicado originalmente nas minhas contas de Facebook e Instagram em 20 de dezembro de 2018.

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