Por que é tão difícil continuar amamentando? [Saltos de desenvolvimento]

Por que é tão difícil continuar amamentando? [Saltos de Desenvolvimento]
Foto: Gabrielle Gimenez

Os saltos de desenvolvimento no segundo ano de vida são um grande desafio para a manutenção da amamentação no tempo. Como falei no post anterior, a sociedade no geral não vê necessidade de um bebê que “já come” seguir no peito. E não raro escutamos da boca de profissionais comentários do tipo: “seu leite já não sustenta” ou “seu bebê não precisa mais mamar durante a noite”.

Acontece que esses períodos turbulentos na vida da família de um bebê que está adquirindo novas habilidades se forem mal interpretados, podem colocar em risco a amamentação. Por que? Porque o processo pode gerar no bebê certa ansiedade e angústia (lembre-se ainda que a angústia da separação começa entre os 6 e 8 meses e vai em menor ou maior intensidade até os 3 anos) e a busca pela presença da mãe, seu porto seguro, além de alterações no padrão de sono e alimentação. E na análise simplista da nossa sociedade, tudo cai na conta da amamentação. Neste caso, a culpa pelo “mau comportamento” do bebê.

É desafiador pois as mudanças são mais notórias e o bebê ganha autonomia e avança não só do ponto de vista motor, mas também cognitivo, social e na linguagem. Precisamos lidar com situações mais complexas como birras, recusa de seguir a rotina, maior demanda do peito e noites péssimas.

Se não estivermos preparadas poderemos ser levadas a crer que estamos fazendo errado em amamentar, atender as demandas do bebê e tratar de acolher o comportamento difícil. E pelo contrário, é justamente isso o que ele precisa e espera de nós, e é por isso que ele nos busca em primeiro lugar. Somos sua fonte de ocitocina para a regulação emocional.

Trazendo para minha experiência pessoal. os saltos desse período e a fase dos dois anos foram muito insanos por aqui, porque precisava lidar com dois bebês simultaneamente e sem rede de apoio. Eu gritei, chorei em posição fetal, me escondi debaixo dos cobertores, achei que ia enlouquecer, mas aguentei firme um dia de cada vez. E aqui estou pra contar que essas fases passam. Com plena consciência de que isso não torna o momento mais fácil, mas dá a esperança de que não precisaremos viver nesta alta demanda pra sempre. E sem esquecer que o peito é aliado e que vale a pena toda a empatia que pudermos dispensar aos pequenos nessa fase.

Continua no próximo post: Por que é tão difícil continuar amamentando? [Comportamento Infantil]

Leia também o post anterior: Por que é tão difícil continuar amamentando? [Perspectiva Cultural]


Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

[Na foto, o Matias com 1 ano e 9 meses. Período bastante demandante e desafiador por aqui.]

Texto publicado originalmente na minha conta do Instagram em 10 de outubro de 2018 e revisado nesta edição.

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