Por que é tão difícil continuar amamentando? [Comportamento infantil]

Por que é tão difícil continuar amamentando? [Comportamento Infantil]
Foto: Gabrielle Gimenez

E quando o bebê já passou por todos os picos e saltos da tabela e continua com um comportamento “difícil”, como explicá-lo?

Em primeiro lugar, as tabelas que vemos por aí contemplam apenas o primeiro e segundo ano de vida. Mas os picos de crescimento continuam ocorrendo durante toda a infância, incluindo a adolescência. Em relação aos saltos de desenvolvimento, a criança continua adquirindo novas habilidades e aprimorando as existentes. Além de outros fatores que podem afetar seu comportamento como: alterações na rotina, mudança de domicílio ou escola, doenças, perda de contato frequente com uma figura de apego, chegada de um irmãozinho, tensão no lar, separação dos pais, etc.

Os períodos de “crise”, tenham eles origem física ou emocional, podem gerar angústia e afetar, como dissemos, o padrão de sono e alimentação, conformidade com a rotina, sociabilidade com o entorno e o humor da criança. O desenvolvimento não ocorre de modo organizado e linear, como pensamos, e pode ser antecedido por breves períodos de “regressão” (assim entre aspas mesmo porque não se trata realmente de regressão). É como se déssemos alguns passos atrás para pegar impulso para dar um grande salto. Então não é que o bebê fica chato ou manhoso, que esteja mal acostumado ou tentando manipular para conseguir o que quer (ele sequer tem capacidade neurológica para isso). Na verdade, todas essas mudanças são assustadoras e lhe causam angústia e é justamente por isso que ele busca a sua segurança na mãe (ou outra figura de apego).

Por aqui, o período prévio à chegada dos dois anos foi de momentos de turbulência e relativa tranquilidade que se alternavam num looping infinito. Voltaram a mamar como recém-nascidos, ficaram num grude só dia e noite. Quer o chamemos de terríveis ou maravilhosos dois anos, a verdade é que foi uma das fases mais desafiadoras que vivi como mãe até agora. Se para nós é sofrido, para eles ainda mais. Seguiu-se a fala mais fluente, primeiros diálogos, o desfralde conduzido por eles. Grandes e assustadoras mudanças, entremeadas com chororô, ataques de birra e muitos chiliques.

Muitos pais, por ignorância, cansaço extremo ou pressão do contexto, interpretam mal o comportamento do bebê e deixam de responder à sua demanda para não alimentar a “manha”. No pacote estão incluídos o deixar chorar, o ignorar pra ver se esquece e o desmame precoce e/ou abrupto (porque, lógico, o peito sempre leva a culpa do mau comportamento, das noites mal dormidas, de tudo enfim). Mas quando deixamos de ser responsivos, de acolher com empatia, quando negamos nossa presença e o peito (se for o caso), estamos tirando do bebê as únicas coisas em que ele confia para atravessar as crises com segurança.

Por mais que seja uma fase extenuante, precisamos acompanhá-los com paciência e muita compreensão. Ela vai passar de um jeito ou de outro, mas o modo como conduzimos o processo fará toda a diferença em como a criança irá encarar os novos desafios por diante, os relacionamentos que irá construir e a si mesma.

Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

Leia também os posts anteriores: Por que é tão difícil continuar amamentando? [Saltos de Desenvolvimento] e Por que é tão difícil continuar amamentando? [Perspectiva Cultural]

Texto publicado originalmente no meu perfil do Instagram em 11 de outubro de 2018 e revisado nesta edição.

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