Do que nossos filhos realmente precisam?

Do que nossos filhos realmente precisam?
Foto: Júlia Costa

Que difícil chegar a um mundo em que mal saímos do útero e já somos sufocados pelas expectativas de que enquadremos num padrão e alcancemos metas. Nascemos numa cultura que não respeita as necessidades da espécie da qual emana, que minimiza a importância do respeito ao processo de desenvolvimento, focando nos resultados a qualquer preço. Como se não estivéssemos criando filhos, mas apenas fazendo um investimento financeiro que, esperamos, nos dê um mínimo (e rápido) retorno. Silenciamos a individualidade do ser em nome da eficiência, da cômoda previsibilidade, da independência apressada. Esta é uma equação desastrosa.

Escutamos o que dizem os especialistas e os palpiteiros: que a determinada idade a criança já não precisa de tal e qual coisa e se a pede é porque está mal acostumada e fez alguma associação negativa do que quer que seja. E nos sentimos culpados, achando que estamos fazendo errado, que o bebê nasceu com algum problema e tentamos a todo custo adequá-lo ao ritmo de uma linha de produção impessoal, que nos é vendida como o “melhor” para a criança, como se todas elas fossem iguais e os fins (ainda que irreais) justificassem os meios.

Para saber o que é melhor para os nossos filhos, deveríamos perguntar-lhes em primeiro lugar. Se a resposta for peito, amamente. Se ele pedir colo, tome-o em seus braços ou amarre-o ao seu corpo. Se tiver medo ou chorar, abrace-o até que se acalme. Se quiser companhia para dormir, ofereça-lhe sua presença protetora. Se se sentir inseguro, estenda sua mão, esteja ao seu lado. Conecte-se, escute, acolha. Sem olhar pro calendário ou pro relógio.

Nas palavras da psicóloga e escritora Rosa Jové: “Desconfie de métodos que são iguais para todos e olhe para o seu filho. Ele lhe dirá em todos os momentos de sua vida do que precisa. Alguns pais ainda acreditam que os bebês nascem sem manual de instruções. Mentira! Eles são as instruções! Siga-as ao pé da letra”.


Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

Texto publicado originalmente na minha conta de Instagram em 31 de janeiro de 2019.

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