A separação nos pequenos seres humanos dói tanto quanto uma dor física

Foto: Gerardo Gimenez

A psicóloga Margot Sunderland, do Centro de Saúde Mental Infantil de Londres, explica que “quando uma criança está sofrendo por causa da ausência dos pais, são ativadas as mesmas partes do cérebro de quando ela está sentindo uma dor física. Então a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não faz sentido confortar uma dor física – digamos, de um joelho ralado – mas não sentir que é necessário consolar uma questão emocional como a angústia pela separação”.

Agora, diferentemente do que diz o senso comum da nossa cultura, como pais, não devemos ignorar a demanda por presença, colo e contato físico do bebê com o objetivo de fazê-lo mais “adaptável” ao mundo. Pelo contrário, devemos atender suas necessidades emocionais tanto quanto as necessidades físicas, seja de dia ou de noite, e buscar que os cuidadores em nossa ausência adotem a mesma postura acolhedora e responsiva.

É na atenção focada e coerência nas respostas recebidas sistematicamente às suas necessidades nos primeiros anos de vida que o ser humano lançará as bases para sua saúde mental futura e a maneira como construirá novos relacionamentos ao longo da vida. O respeito pela dependência do bebê humano o tornará suficientemente seguro e confiante para abraçar a independência quando chegar o momento certo.

Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

Texto publicado originalmente na minha conta do Instagram em 12 de setembro de 2019.

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