Pausar a vida pelos filhos

Pausar a vida pelos filhos
Foto: Gabrielle Gimenez

Se queremos manter a balança da vida materna em equilíbrio, precisamos entender que as fases difíceis da maternidade, embora pesadas, são fases, e portanto passageiras. Por mais árduas, demandantes e enlouquecedoras que possam chegar a ser, elas passarão. Decidir pausar ou ao menos desacelerar a vida pelos filhos durante os seus primeiros anos é uma delas.

Pausar não significa desistir da vida e de si mesma. Significa entender que durante um certo período os filhos serão a prioridade, porque eles são seres que nascem frágeis e totalmente dependentes de cuidados. Que precisam, como o ar que respiram, de peito e colo e da certeza de que estaremos ali pra eles até que possam conquistar certa autonomia (e acredite, essa fase chegará!).

Escolher a maternidade em tempo integral não significa que temos que ser as amazonas solitárias. Mãe precisa de apoio, de toda a ajuda possível, de afirmação, de cuidado, justamente para poder se entregar à maternidade com plenitude, sem que tenha que se preocupar com tarefas menos nobres que possam roubar a sua paz neste momento de conexão e estabelecimento do vínculo.

No entanto, nosso modelo de sociedade é totalmente hostil a uma maternidade encarada desta maneira. O papel crucial da mãe como mamífera, cuidadora e nutriz é menosprezado. Quem pode, é estimulada a terceirizá-lo. Quem não pode acaba amargando o peso de levar sozinha uma casa cheia de culpas nas costas. É uma decisão difícil, que exige muito amor, firmeza e um par de bons filtros nos ouvidos. Porque até nós que fizemos conscientemente esta escolha, estamos sujeitas a pensamentos ruins e dúvidas plantadas no nosso subconsciente que nos assombram e nos fazem questionar se realmente escolhemos certo.

Veja bem, embora seja uma atividade não remunerada em termos econômicos e pouco produtiva do ponto de vista do modelo capitalista, a maternidade é um trabalho da maior importância, uma carreira nobre e uma missão com inúmeras recompensas (embora estas por vezes sequer possam ser vistas com os olhos). Se te toca viver este momento por estar de licença maternidade ou por escolha pessoal por um tempo mais prolongado não permita que ninguém, nem você mesma, te faça se sentir inútil por ser “apenas” mãe.

Gerar, gestar, parir, amamentar, carregar, cuidar, higienizar, ninar, acalentar, cantarolar, brincar, andar de mãos dadas, ensinar, transmitir, amar… Não existe tarefa mais importante do que se doar a um ser que se desprende de você para se tornar independente e ao mesmo tempo eternamente conectado, porque este vínculo mãe-cria jamais terá fim.

Embora a maternidade esteja longe de ser um mar de rosas, toda a nossa dedicação e entrega não são em vão. E se bem os dias muitas vezes pareçam intermináveis, os anos passam muito rápido. Aproveite então cada segundo juntos para construir um vínculo sólido e consolidá-lo nas bases do amor, do respeito mútuo, do apego, do ensinar com o exemplo, da coerência, da cumplicidade. Valerá a pena.

Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

Texto originalmente publicado nas minhas contas de Facebook e Instagram em 04 de janeiro de 2018. Os gêmeos nessa ocasião estavam com dois anos e meio e eu ainda vivendo a minha pausa repleta de desafios e significado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.