Fobias (pa)maternas no caos da chegada do bebê

Fobias maternas/paternas no caos da chegada do bebê
Foto: Elisa Elsie – Duas Estúdio

Se bem a chegada de um bebê ao seio de uma família vira de ponta cabeça a vida como a conhecíamos até então, este momento pode ser ainda pior se formos guiados por fobias em relação ao comportamento do ser humano ao nascer.

Normalmente elas surgem do desconhecimento sobre o que é normal e o que devemos esperar de um bebê. E, lamentavelmente, são reforçadas não só pelo senso comum da nossa sociedade, mas pelos próprios profissionais da saúde. Deles partem as recomendações para as interferências externas, intervenções comportamentais e medicalização de processos naturais, que terminam se acumulando em um efeito cascata que gera sofrimento e desconexão entre pais e filhos.

Curvofobia, chorofobia, sonofobia, dedofobia, colofobia… Patologizamos a infância de tal modo que não existe nada no ritmo de desenvolvimento fisiológico do bebê que seja aceitável. Tudo exige conserto rápido e imediato sob a desculpa de evitar supostas tragédias futuras e irreversíveis.

Aparecem, então, a complementação com fórmula pro bebê ganhar peso rapidamente ou tirar o peito pra forçar o bebê a comer com o mesmo fim. Mas e o respeito ao biotipo e genética do indivíduo? Medicar o choro ou o que acreditamos ser as possíveis causas, mesmo que não haja comprovação científica da eficácia destes medicamentos. Mas o que o bebê está tratando de comunicar através do choro? Treinamentos e técnicas de condução comportamental pra fazer o bebê dormir a noite toda. Mas será que ele possui maturidade pra isso? Quais os possíveis danos destas práticas para a saúde infantil e o vínculo entre pais e filhos? Introduzir chupeta quando o bebê começa a demonstrar interesse em sugar mãos e dedos, com a desculpa de que a chupeta é mais fácil de tirar e não levando em conta que o sugar o dedo faz parte do desenvolvimento infantil e não causa tantos danos quanto a chupeta. A quem realmente serve este discurso? Negar colo e contato físico ao bebê sob o pretexto de que ele ficará mal acostumado, mesmo que isso signifique deixar chorar no berço. Mas o toque é indispensável para o desenvolvimento saudável do ser humano e fortalece o vínculo com base no apego seguro. Como negar algo tão fundamental e esperar que tudo flua bem? E por aí vai…

Todos os dias recebo mensagens de mães e pais aflitos pelo comportamento absolutamente normal de seus filhos. No fundo eles sabem disso, mas a pressão social e profissional sobre eles, associada à falta de informação gera insegurança e desespero. O medo se cura com o conhecimento. O ritmo fluido se constrói com conexão. Pelo bem das nossas famílias, já é hora de abandonar de vez as fobias e abraçar com naturalidade a realidade da vida com um bebê. E acredite, ela pode ser transformadora e maravilhosa.

Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

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