Como fica o sexo depois da maternidade?

O sexo e a maternidade. Foto: Duas Estudio - Elisa Elsie e Mariana Do Vale
Foto: Duas Estudio – Elisa Elsie e Mariana Do Vale

Se falar sobre sexualidade feminina já gera certo desconforto, tratar sobre sexualidade materna então é quase um tabu. No entanto, é importante falarmos sobre o tema com a naturalidade que ele requer. Mães são antes de tudo mulheres, e embora a retomada da vida sexual após o parto para muitas possa se dar sem maiores problemas, para outras tantas de nós, por diferentes motivos, esse processo será um pouco mais complicado.

A nova mãe precisa de tempo para processar as inúmeras mudanças. Porque o puerpério tem revolução hormonal, cansaço extremo pela alta demanda do bebê e noites mal dormidas, tem baixa libido, tem dores do pós-parto, tem um corpo voltando pro lugar, tem ressecamento vaginal, tem peito vazando. A boa notícia é que todos estes itens tenebrosos são temporários e podem ser contornados pelo casal com acolhimento e compreensão, com companheirismo, partilha de tarefas, muita paciência e, acima de tudo, diálogo franco.

É preciso dar tempo ao tempo, sem cobranças nem chantagem emocional. O novo pai não pode esquecer que a prioridade agora é o bebê e sua mãe e o vínculo que eles estão construindo. Que o seu corpo e mente estão totalmente programados e concentrados em atender física e emocionalmente o novo ser tão dependente de cuidados. E é natural que sobre muito pouco tempo para se preocupar com outras coisas.

A nova mãe deve evitar ao máximo o auto-boicote, o que inclui a comparação constante com o padrão ideal (ou melhor dito, irreal) de beleza e sensualidade vendido por aí. O corpo passou por uma enorme transformação durante a gravidez e vai estar por um bom tempo diferente do que era e tudo bem. Pra que a pressa? Beleza e sensualidade são uma questão de auto-aceitação e não de imagem. Retomar a vida sexual no tempo oportuno, com leveza e sem neuras é também uma forma de satisfação e auto-cuidado.

Na maratona da nova rotina talvez seja preciso resgatar a intimidade perdida, o que obviamente não se resume ao sexo. Voltar ao momento da aproximação e da conquista, de descobrir coisas legais pra fazer juntos enquanto os hormônios se reequilibram e o desejo renasce. Conversa amorosa, carinho, beijos, carícias, deixar fluir. Saber quando parar e retroceder no caso de surgirem desconfortos físicos ou emocionais. Buscar novas maneiras de se curtir e ter prazer a dois independente de haver ou não penetração ou orgasmo num primeiro momento.

A medida que o tempo passa e o caos diminui, que a libido volta e o desejo aumenta, aproveitar e planejar o tempo a dois, mas sempre deixando margem para as situações inusitadas (ou não tanto), como por exemplo o bebê que chora na hora H. É aí que entram o bom-humor e a criatividade para retomar de onde se parou, para buscar uma nova posição mais confortável, para inovar nos lugares e superfícies (especialmente quem faz quarto/cama compartilhada), para relevar detalhes menos importantes.

Respeitemos e amemos quem somos e quem estamos nos tornando. Cuidemos do nosso corpo e das nossas emoções. Façamos uma leitura correta dos nossos desejos e dos desejos do outro. Procuremos o equilíbrio em tudo. A maternidade será sempre demandante por diferentes razões. Mas dentro da nossa realidade do hoje e do agora poderemos nos permitir pequenas concessões que tornarão nossa trajetória mais prazerosa e leve.

Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

Texto originalmente publicado na minha conta do Instagram em 01 de novembro de 2018.

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