Quando a maternidade nos supera

Quando a maternidade nos supera. Ilustração: Jade Nordahl
Ilustração: Jade Nordahl

Há momentos em que precisamos aceitar a derrota. Uma sequência de dias com condições climáticas desfavoráveis e noites mal dormidas. Serviço da casa acumulado e um caos que teima em ser permanente. Humor difícil das crianças e um apelo de contenção emocional que foge à nossa capacidade de atendê-las. Cansaço físico e mental que nos impedem de continuar improvisando, abstraindo, aguentando o que dá errado uma e outra vez. Isso mexe com a nossa estrutura e nos desestabiliza.

Tem dias que as coisas fogem do controle, que nada sai no horário, que o filho chega atrasado na escola, que todo nosso esforço em manter a casa minimamente habitável é em vão. A gente aproveita que as crianças resolveram correr no quintal para chorar enquanto corta a cebola do refogado. Tem dias que dá vontade de fugir, de hibernar até a próxima estação, de evaporar no ar.

Porque somos mães, não somos super heroínas. Somos humanas, falhas e limitadas. Porque mesmo não querendo às vezes perdemos a paciência e levantamos a voz. Porque mesmo nos desdobrando em mil têm coisas que nos superam. Aliás me incomoda profundamente a associação da maternidade a algum tipo de super poder, a figura de mãe à mulher maravilha. Porque maternidade é entrega, é abnegação. Uma escolha difícil e consciente que precisamos fazer todos os dias em favor daqueles que amamos e tanto dependem de nós. Não é porque somos mulheres e mães que pra nós é natural ou mais fácil, que o fazemos sem esforço ou renúncia.

Maternidade não é martírio. Mas mãe também se cansa, se frustra, precisa de colo, de um ombro amigo que nos escute sem julgamentos, de uma xícara de café quente com chocolate. Maternidade é um processo que começa e não termina nunca. Então se precisamos reconhecer a derrota, que assim seja. Choramos, oramos baixinho pedindo abundante perdão e graça e seguimos em frente um dia de cada vez. Porque podemos até perder uma batalha, mas nos render jamais.

Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

Ilustração de Jade Nordahl

Texto originalmente publicado na minha conta do Facebook em 12 de abril de 2017.

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