A maternidade é um eterno não dar conta

A maternidade e um eterno não dar conta. Foto: Elisa Elsie - Duas Estúdio
Foto: Elisa Elsie – Duas Estúdio

De vez em quando alguém comenta aqui, ou escuto por aí: Meu Deus, gêmeos! ou Minha nossa, 3 crianças! Como é que você dá conta? E eu sempre respondo de forma bem sincera: Eu não dou! E não é porque eu tenho 3 filhos. Quando tinha só 1 eu também não dava conta. Porque esse dar conta implica uma perfeição que beira o insano. Dar conta da carreira, dos filhos, da casa, de si mesma, sem desatender nenhum item. Cá entre nós, isso é impossível de alcançar.

Podem até existir dias em que completamos o check list da agenda, que as crianças “se comportam”, que a casa está em ordem, a comida na mesa, e sobra tempo pra gente se cuidar. Mas no geral, pra ter eficiência máxima numa esfera, terminamos descuidando de outra. Isso é perfeitamente compreensível. Somos humanas e temos nossas limitações. E dias que duram apenas 24 horas. E criar filhos demanda muito tempo e esforço, especialmente se o fazemos de maneira respeitosa, priorizando um estilo de vida saudável, de baixa toxicidade em todos os âmbitos e livre de apelo consumista.

Amamentar demanda tempo, preparar comida de verdade também. Criar sem telas nem se fala. Dar tempo de qualidade, colo, atenção sem pressa, conversa focada, exige abrir mão de outras coisas. Saber conciliar tudo isso com todas as demais responsabilidades que nos tocam é o desafio de toda uma vida. A medida que eles crescem e o foco da demanda muda, vou tentando me adequar. Antes passava horas e horas dando o peito. Agora essas horas são divididas entre jogar dominó, armar quebra-cabeças, preparar pipoca e sentar pra assistir desenho com eles, levar pro parquinho, revisar conteúdo estudado em sala de aula, ajudar na conciliação de disputas, beijar machucados, eventualmente limpar bundas e narizes, etc.

Eu sei que eles querem atenção genuína, que eu olhe o que estão fazendo e não me distraia. Que querem ter certeza de que estou ali não só com o corpo, mas também com a mente e de que são tudo no mundo pra mim. No meu desejo de atender esse chamado termino não sendo uma pessoa muito eficiente em outras áreas. E às vezes, por precisar atender outras demandas urgentes ou importantes, eu termino não sendo essa “mãe 100%” que eu quero ser.

Mas não gosto de encarar isso com fatalismo. Com altos e baixos, vitórias e derrotas, agenda cumprida ou acumulada, eu vou errando e querendo acertar. Sabendo que as fases passam, os anos passam, mas o que eu estou plantando é algo que vai permanecer. Porque maternidade é isso, ela nos transcende naquilo que semeamos no coração e na vida dos nossos filhos, e que continuará dando frutos mesmo quando já não estivermos aqui. Mesmo não dando conta, mas fazendo o possível com todo o amor do mundo.

Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

[Na foto, nos meus primeiros dias de ser mãe de um e não dar conta. O Fernando que na data desta publicação está com 6 anos e meio tinha apenas 7 dias.]

Texto originalmente publicado na minha conta do Instagram em 13 de novembro de 2018.

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