Babá, cuidador, creche ou escola: qual a melhor opção pro bebê?

Foto: Gabrielle Gimenez

Com a necessidade de reincorporação precoce dos pais ao trabalho, surge o dilema sobre o que seria melhor pro bebê. Quem estaria mais capacitado a atendê-lo na ausência da mãe? Do que um bebê realmente precisa? Estas dúvidas muitas vezes vêm carregadas de culpa e de uma boa dose de desinformação.

Compartilho a seguir uma sequência de reflexões da Julieta Franco, que poderá te ajudar a escolher o caminho possível para a sua família levando em consideração o que é melhor do ponto de vista da criança.

Crianças não precisam de escola antes dos 3 anos

Sim. Eu sei. Uma boa escola oferece muitas oportunidades de desenvolvimento e interação para uma criança. Sim. Também sei que para muitas pessoas é algo impossível deixar o filho em casa até 3 anos por questões financeiras ou até mesmo de dinâmica familiar, e, que sequer tem rede de apoio. Outros pais nunca pararam para pensar sobre esse assunto. Se esforçam para pagar uma boa escola desde muito cedo para que a criança se “desenvolva” melhor. Outros simplesmente gostariam de cuidar dos seus pequenos por mais tempo e acham que não são aptos para isso.

Portando, esse post, não é uma sentença.
É informação para ser usada conforme conveniência.

A forma preponderante de desenvolvimento para uma criança de até 3 anos é a brincadeira. Ela não precisa de uma escola para “estimular”. Você mãe, pai, cuidador, avó, tia são os melhores estimuladores de um bebê e uma criança de colo. A casa dela é o melhor ambiente que ela pode ter.

O comportando de apego é alarmado sempre que a criança está em ambientes estranhos, com pessoas estranhas, quando a criança está doente, com fome, com dor, fadiga. É necessário que exista alguém disponível e entregue. E esse apego é extremamente preponderante até os 3 anos. O que significa dizer que até essa idade, esse bebê estará super sensível a todos esses fatores e irá requerer de forma emergencial estar na presença dos seus cuidadores principais.

Além disso, o cuidado um a um é parte relevante para o desenvolvimento emocional nessa fase. Não é à toa que as salinhas das escolas de 2-4 anos são chamadas de MATERNAL. Quer dizer que os cuidados dirigidos para essas crianças devem ser equivalentes ao de uma MÃE.

Criança criada com a figura de apego vai além. Criança apegada, se torna independente mais cedo por que quanto mais seguro o apego do cuidador, mais a criança está segura para explorar o mundo. Depois de 3 anos, ela manifesta o comportamento de apego com menos urgência e frequência. Estando mais apta à autoregulação. Amadurecem em nível emocional e suportam a ausência temporária do cuidador e aproveitam as brincadeiras com outras crianças mais entregues.

Babá ou Creche?

Não posso ignorar o contexto social e quero te dar soluções ao invés de apenas cutucões.

No primeiro ano de vida seria ideal os pais de forma absoluta na linha de frente. Frisando que “linha de frente” não quer dizer 24 horas, todos os dias da semana. Dessa forma, ter uma babá seria infinitamente mais vantajoso que a creche. Ter uma babá desde o início pode ser uma forma de amenizar várias situações. Principalmente se não existe rede de apoio física ou se essa rede não puder ser permanente.

Nos primeiros 6 meses, a babá será mais para você que para o bebê. Poderá te ajudar de diversas formas sendo o braço direito da família. Pense em introduzi-la o quanto antes. É importante ir incluindo ela no contexto familiar. Se você não pode estar com a criança, se preocupe em dar à ela “ao menos” uma babá. Uma pessoa carinhosa, cuidadosa, dedicada. Esqueça os brinquedos caros. As roupas em excesso. Uma babá pode ser o maior presente que você poderá dar para seus filhos.

Até 3 anos, infelizmente, não posso te dizer que uma creche seria melhor que uma babá. Do que alguém de confiança cuidando do seu bebê. Cuidado 1 para 1 é essencial nesse período. Creche antes de 1 ano deveria ser proibido. Escola antes de 3 também. Se tiver que colocar na creche, tente o menor período possível. Período integral nunca deveria ser cogitado.

Não deu? Então meu filho terá um futuro emocional degradante?
Não necessariamente, porque existem inúmeras variáveis. E isso vai depender do seu empenho e da sua presença quando estiverem juntos. Já falei e repito: Amplie sua disponibilidade de todas as formas que puder. Dormir junto é estar por várias horas disponível. Isso conta. Acorde mais cedo e dedique alguns minutos intensos. Chegue antes da criança estar dormindo. Não se ligue em rotina com horário fixo se isso significar filho na cama as 20:00 se você chega às 20:30.

Para todas as circunstâncias, faça o melhor que puder com o que você tem nesse momento. Lamentar não adianta. Culpa não resolve. Vitimismo paralisa.

Creche também pode ser rede de apoio

Creche e escola não são um problema em si. Muito pelo contrário, podem representar rede de apoio.

Minhas críticas e sugestões são para que a vida do seu filho possa melhorar. Não só a sua. Muitas vezes decidimos pela creche ou escolinha por que é mais útil para nós, pais. E está tudo bem, desde que seja óbvio para você que não é ele que precisa, mas sim, você.

Reconheço, chegar aqui e ditar regras não ajuda. Por que sei de mães e pais que não possuem outro destino. Precisam da creche. Precisam da escola.
E é para vocês que escrevo agora.

Sei que muitas vezes, não há uma perspectiva melhor. Mas falo insistentemente dos malefícios da creche em período integral para aproximar pais de filhos. Para ampliar contato. Faço porque duvido existir lugar melhor para um filho do que debaixo das asas dos pais.

Para os que não podem. Não conseguem. Ou os que conseguem, mas já estão esgotados por não terem rede de apoio, sim, creche pode ser vista como rede de apoio. Pode servir como aquela ajuda que você não tem de lado nenhum. Mas que seja meio período, por favor. Pelas crianças. Que seja o mínimo. Que não seja um depósito de crianças ou uma forma equivocada de achar que está favorecendo “socialização”. Parece muito, mas são “só” 3 anos que eu eu peço um olhar especial para essas questões. O que são 3 anos quando você sabe que está contribuindo para construção do cérebro do seu filho?

Muda quando pensamos que é por um tempo, não é? Que depois são eles que irão querer mais os amigos que nós, que não vão querer colo o tempo todo, e que depois desses 3 anos, eles terão o mínimo de regulação para começarem suas vidas sociais. Para viver suas emoções de forma mais consciente.

Mas se você não está bem, se não pode esperar, se não pode bancar esse tempo. Sim. A creche pode ser sua rede de apoio. Mas que seja a última opção. Não a primeira. Peço por ele, seu filho.

Texto de Julieta Franco, mãe do Calvin, certificada em Disciplina Positiva e Comunicação não Violenta, Graduanda em Psicologia, Mestranda em Intervenção Psicológica no Desenvolvimento, autora do livro O Poder do Apego.

Você pode acompanhar seu trabalho no Instagram @recriar_julieta

Já conhece o livro O Poder do Apego? Para adquirir o seu exemplar, clique aqui. Compre com desconto utilizando o cupom GABI10.

Sequência de posts publicados originalmente na sua conta do Instagram e gentilmente cedidos pela autora para serem reunidos e divulgados neste espaço.

Deixe uma resposta