Existe mesmo a pega perfeita do bebê ao mamar?

Existe mesmo a pega perfeita do bebê ao mamar?
Foto: Gabrielle Gimenez

Não! Não existe a pega perfeita. Existe a pega que funciona, onde a boca única do bebê se acopla ao seio único de sua mãe e a amamentação pode fluir sem dores para a mãe e com um bebê que fica relaxado depois da mamada e ganha peso corretamente.

Seria mais adequado então falar de uma pega correta. E, sim, ela é fundamental para o sucesso da amamentação. Por isso o quanto antes ela for ajustada, melhor. Além da pega, é super importante o posicionamento do bebê em relação à mãe. A pega e/ou posição erradas provocam dor ao amamentar e as temidas fissuras nos mamilos, além de comprometer o ganho de peso do bebê e a própria produção de leite materno, já que a ordenha não é realizada de forma eficiente pela sucção do bebê. Pode levar a um padrão de comportamento de um bebê que passa muito tempo no peito, mas está sempre inquieto, com comprometimento no seu ganho de peso.

Vejamos a seguir algumas orientações do Ministério da Saúde seguindo o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para uma pega e posições corretas e algumas dicas para saber quando algo não anda bem na amamentação.

Pontos-chave do posicionamento adequado:

✅ Rosto do bebê de frente para a mama, com nariz (cujas narinas devem permanecer livres durante a mamada) na altura do mamilo;

✅ Corpo do bebê próximo ao da mãe, todo voltado para ela, barriga com barriga;

✅ Bebê com cabeça e tronco alinhados (pescoço não torcido);

✅ Bebê bem apoiado.

Pontos-chave da pega adequada:

✅ Mais aréola visível acima da boca do bebê;

✅ Boca bem aberta;

✅ Lábio inferior virado para fora;

✅ Queixo tocando a mama.

Os seguintes sinais são indicativos de técnica inadequada de amamentação:

❌ Bochechas do bebê encovadas a cada sucção;

❌ Ruídos da língua;

❌ Mama aparentando estar esticada ou deformada durante a mamada;

❌ Mamilos com estrias vermelhas ou áreas esbranquiçadas ou achatadas quando o bebê solta a mama;

❌ Dor na amamentação¹.

Existe mesmo a pega perfeita do bebê ao mamar??
Local da Pega Correta do Bebê – BRASIL (2009b) – Ministério da Saúde¹

É o bebê que vai à mama e não a mama que vai ao bebê. Para isso, a mãe deve primeiro se posicionar bem e então levar o bebê ao peito quando ambos estiverem prontos. Um bom apoio vai evitar dores nas costas e tendinites. Também precisamos esquecer esse costume típico da cultura da mamadeira que diz que o local correto para apoiar a cabeça do bebê é na dobra do cotovelo. Especialmente nos três primeiros meses devemos ter atenção redobrada com a posição do bebê e o mais indicado é que sua cabeça esteja apoiada próxima ao pulso, enfrentada ao peito, com a mão da mãe fazendo apoio nas costas do bebê.

Quando a mama está muito cheia, a aréola pode estar tensa, endurecida, dificultando a pega. Em tais casos, recomenda-se, antes da mamada, retirar manualmente um pouco de leite da aréola ingurgitada. Outro detalhe importante é a maneira como a mãe segura o seio para oferecê-lo ao bebê. Não deve utilizar os dedos como uma tesoura porque isso dificulta que o bebê abocanhe corretamente a maior porção possível da aréola, além de comprometer a saída do leite por pressão sobre os ductos o que pode levar também à sua obstrução e ingurgitamento mamário. A mãe deve sustentar o seio com a mão em forma de “C” segurando-o como se fosse um sanduíche prestes a ser levado à boca. Esta manobra é especialmente útil em mulheres com mamas grandes e pesadas para favorecer uma pega correta.

É importante que o bebê esteja com a boca bem aberta antes do acople à mama, evitando que abocanhe apenas o bico do peito. Para isso a mãe pode estimulá-lo passando o mamilo pelo lábio superior do bebê, o que o leva a um movimento de busca que favorece a uma boa abertura da boca.

Existem inúmeras posições em que a mãe pode amamentar. Vale a pena ir testando até encontrar a que seja mais confortável para ambos. Mas isso já é assunto para outro post.


Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

¹Fonte: Cadernos de Atenção Básica/ Saúde da Criança – Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/ N. 23 – Ministério da Saúde, 2015.

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