Se eu pudesse voltar no tempo

Se eu pudesse voltar no tempo
Foto: Elisa Elsie – Duas Estúdio

O que eu diria a mim mesma, grávida, com tão pouca informação e, no entanto, com tantos sonhos e expectativas em relação à maternidade?

Se eu pudesse voltar no tempo, há exatos 8 anos, para avisar a mim mesma, grávida e futura mãe de primeira viagem o que viria pela frente, eu faria uma série de advertências e alertas sobre o quão distante da realidade está o senso comum da nossa cultura. Sobre como o sistema é cruel e como a assistência obstétrica, mesmo nos hospitais ditos vanguardistas, é violenta e desrespeitosa. Sobre como muitos profissionais falam do que não sabem e cagam tantos aspectos que deveriam ser sagrados, protegidos e cuidados no nosso maternar. Sobre a importância dos grupos de apoio e lugares onde encontrar informação fidedigna a respeito de tudo que é realmente relevante. Sobre como faz falta uma tribo, em especial quando somos expatriadas.

Mas também falaria sobre uma força sem igual e um amor indescritível. Sobre um novo significado para tantas coisas. Sobre se reencontrar numa vida completamente diferente, mas ainda assim maravilhosa. Sobre erros e acertos, sobre quedas e triunfos. Sobre transformações no corpo e na alma. Sobre lágrimas e gargalhadas. Sobre já nunca estar só (embora isso também tenha o seu lado desesperador). Sobre ser amada com pureza e deslumbramento. Sobre ser a pessoa mais importante na vida de alguém. Sobre como faltam as palavras para descrever tudo o que demanda, tudo o que implica, tudo o que se perde e o muito que se ganha ao ser mãe.


Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

Texto originalmente publicado na minha conta de Instagram em 15 de agosto de 2019.

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