Relato de aleitamento materno exclusivo gemelar

Relato de aleitamento materno exclusivo gemelar
Foto: Gabrielle Gimenez

Ontem os gêmeos fizeram o controle do 6° mês. Por uma questão de mudança de plano de saúde tivemos que trocar de pediatra. Na transição eles ficaram sem o controle do 5° mês. Confesso que estava bastante apreensiva. Não pela saúde deles durante esse período, pois estavam bem. Mas por não saber com que tipo de critério médico iria me encontrar. E eu estava cansada e pouco afim de andar fazendo cara de alface ou tendo que me justificar. E se a maldita balança me desse uma rasteira? Porque por mais que acredite na amamentação, sou humana, e de vez em quando me sinto tentada a comparar meu bebê com o filho dos outros. Inclusive com outros relatos de mães de gemelares do grupo de amamentação do qual faço parte. Por isso nem vou mencionar ganho de peso neste post.

Porém para minha surpresa quando a pediatra, que estava tomando notas do histórico deles, perguntou como era a alimentação e eu respondi só peito, ela levantou a cabeça, arregalou os olhos, abriu um sorriso e disse: “Eu não acredito, meu Deus, eu não acredito! Parabéns! Parabéns mesmo! Eu estou amamentando um bebê de 5 meses e sei o quanto é puxado. Imagina dois! Você está de parabéns”. E depois de examiná-los, medi-los e pesá-los, tomou nota na caderneta, conferiu na tabela e disse que estavam ótimos mesmo comparados com bebês da mesma idade (até então sempre tínhamos utilizado a idade corrigida em 35 dias em virtude da prematuridade). Nada de ficar calculando ganho de peso diário ou comparando com a última pesagem. Nada de estipular ganho de peso mensal. Porque sei de pediatras que fazem isso e é simplesmente absurdo. Cresceu, ganhou peso, tá bem, saudável, é o que importa.

Falamos sobre introdução alimentar, enfatizando que o mais importante continua sendo a amamentação. Sobre evitar mamadeiras para oferecer líquidos. De esquecer que existe açúcar e comida industrializada. E tantas outras coisas boas que eu já sabia, mas que foi bom escutar dela. Inclusive em mais de um momento nos perguntou se éramos da área de saúde, pelo vocabulário e pelas convicções em relação à saúde dos bebês. Sorrindo dissemos que não. E guardei pra mim a resposta: “Não, doutora, somos apenas pais bem informados e informação é poder”.

Confesso que na hora por uma fração de segundo me peguei resmungando que o menino tinha ganho pouco peso em dois meses. Mas meu marido me colocou nos eixos rapidinho. No caminho de volta à casa eu disse em voz alta: “Então agora é oficial. Consegui superar os 180 dias de amamentação exclusiva”. E de repente meus olhos se encheram de lágrimas e não pude segurar a emoção. Lágrimas de dupla vitória contra o sistema, de superação pessoal, de redenção. Eu havia fracassado uma vez (com o desmame precoce do meu filho mais velho por confusão de bicos por má orientação do pediatra) e prometido a mim mesma que não voltaria a passar. Deus me deu outra chance e abracei o desafio ainda que em dobro. Foi uma experiência libertadora.

E chegamos a 194 dias de amamentação exclusiva.  Meus filhos talvez nunca serão como os bebês rechonchudos que ilustram os pacotes de fraldas. Mas são meus, são únicos, esbeltos e saudáveis. E isso é tudo o que importa.


Relato por Gabrielle Gimenez @gabicbs

[Este relato foi escrito e originalmente publicado em 18 de dezembro de 2015 na minha conta do Facebook. Os gêmeos estavam com 6 meses e meio. O aleitamento materno exclusivo se estendeu até o início do 7° mês, quando começamos a introdução alimentar pela idade corrigida. Na foto, amamentando os gêmeos na rede a dois dias de completarem os 5 meses. Hoje eles estão com 4 anos e 7 meses e na fase final de um desmame natural.]

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