Choro é mais que comunicação, é mecanismo de sobrevivência

Choro é mais que comunicação, é mecanismo de sobrevivência
Foto: Elisa Elsie – Duas Estúdio

Choro é comunicação. Esta frase, apesar de super batida, infelizmente ainda é pouco compreendida e bastante negligenciada. E no contexto do início da vida humana o choro é também um importante mecanismo de sobrevivência.

O choro do bebê lembra constantemente ao seu cuidador de que ele está ali e precisa de vigilância atenta. Um bebê que chora recebe alimento, higienização, vestimenta adequada. Mas apenas isso não é o suficiente para mantê-lo vivo. Então um bebê que chora pede também por colo e com ele toque, calor, segurança.

Um bebê que não chora é facilmente esquecido. Passa mais tempo no carrinho, cadeirinha, berço. Recebe menos contato físico. Se essa ausência de choro se deve à distração do bebê por utensílios ou métodos alheios ao corpo de seu cuidador, o bebê termina se resignando. Começa a aceitar essa falta de presença e deixa de solicitar, de chorar. Independentemente do bebê ser ou não amamentado, ele precisa de colo, precisa ser carregado, estar em contato constante com o corpo de seu cuidador (não apenas enquanto está sendo alimentado). Receber dele atenção focada, conversa amorosa, sentir seu cheiro.

O choro não deve nos incomodar ou ser motivo de desespero. O choro é um convite à conexão, uma oportunidade de autoconhecimento, entendimento mútuo e construção do vínculo. Não a deixe passar. Não se preocupe em calar o choro, mas em acolhê-lo. Você tem tudo o que precisa para consolar o seu bebê. E na segurança do seu abraço ele se desenvolverá de forma plena, como deve ser.


Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

Texto publicado originalmente na minha conta do Instagram em 09 de abril de 2019.

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