Bebê nervoso, bebê bonzinho, ou, simplesmente, bebê?

Bebê nervoso. Bebê bonzinho. Rótulos.
Foto: Duas Estúdio – Elisa Elsie & Mariana do Vale

Não sei se existe uma combinação mais perigosa do que a falta de conhecimento dos pais em relação ao comportamento esperado de um bebê e a necessidade que nossa sociedade tem de criar rótulos.

Bebê bonzinho, bebê nervoso, bebê chorão, bebê guloso, bebê calminho, bebê manhoso. Rótulos que trazem consigo estigma, culpa, insegurança, desespero e que em geral vêm acompanhados de orientações do tipo: dá mamadeira, dá chupeta, deixa no berço, deixa chorar, isso não é normal, é mau costume, é manipulação, seu leite não sustenta.

As soluções elaboradas pelo senso comum da nossa cultura ignoram a demanda legítima do bebê, que passa a ser mal interpretada e negligenciada, gerando um ciclo de sofrimento que se retroalimenta: um bebê que chora para expressar uma necessidade, pais desorientados que ao invés de atendê-la usam paliativos e transmitem ao bebê sua tensão e ansiedade, fazendo com que ele se sinta inseguro e reaja com ainda mais choro.

Quanto sofrimento poderia ser evitado se a chegada do novo membro à família fosse acompanhada de recomendações como: dê colo, dê peito, acolha o choro, durma junto, carregue, embale, é assim mesmo, é uma fase, é normal, seu leite é suficiente, vai passar.

O que você tem agora nos braços é um bebê, simplesmente isso. Sem rótulos. Um pequeno ser humano em formação que mais do que tudo no mundo precisa da sua disponibilidade emocional para compreendê-lo e do contato com o seu corpo para se sentir seguro. Não rotule. Acolha. Não escute palpites. Conecte-se. Não mesquinhe afeto. Entregue-se.

Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

4 comments

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  1. Barbara

    Como sempre maravilhoso!! Cada mãe se reconhece nos seus textos. Na minha segunda oportunidade de maternidade conheci a possibilidade de criar com apego, q bebe nao tem manha e precisa de contato. Me sinto culpada de nao ter sido com a mais velha, hj com 16 anos, a mae q sou hj para o bebe de 8 meses.

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    • gabriellegimenez

      A gente faz o melhor que pode com a informação que temos disponível naquele momento, não é mesmo? Entendo o sentimento, porque me pego lamentando de vez em quando por coisas que fiz na criação do mais velho por pura ignorância. Mas graças a Deus, com a informação que tenho hoje, pude e posso fazer muitas coisas de maneira diferente com os gêmeos e até com o mais velho também. Ser melhor a cada dia por eles e por nós mesmas é o desafio de toda uma existência. Um abraço!

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  2. Daniela

    Q texto.. reconheci a mim mesma meses atrás nessas palavras. Na minha família 3 bebês nasceram em um intervalo de 5 meses.. 3 priminhos.. dois calmos e sorridentes e um mais choraozinho – o meu. No início minha cabeça fervia questionando o pq dele ser um bebê chorão. Conheci a Criação com Apego.. Disciplina Positiva e Comunicação Não Violenta.. meu olhar mudou.. enxerguei meu filho como ele é.. simplesmente um bebê. Q alívio! O choro sumiu? Claro q não.. ele é um bebê!!! O q sumiu foi meu olhar de julgamento.. minhas cobranças e inseguranças. Libertador.. acho até q libertei a mim e a ele.. q sentiu essa leveza e passou a chorar bem menos..

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