Diálogos de amamentação

Diálogos de amamentação. Foto: Gabrielle Gimenez
Foto: Gabrielle Gimenez

Sobre amamentar crianças falantes. Estava sentada na beirada da cama traduzindo um texto e Matias apareceu pra mamar. Depois de mudar de um lado para o outro, ele me pede pra deitar. Mama um pouco e solta o peito e pede para ver o leite. Daí apertamos juntos e cada gota que aparecia no bico ele ia sugando devagarinho. Em um momento, escorre um pouco através do mamilo.

– Parece um vulcão em erupção de leite.
– É mesmo. E você gosta?
– Sim. Eu gosto de mamar para sonhar.
– Como assim? Você gosta de mamar antes de dormir?
– Sim. Mamar e depois …

E pulou da cama e correu pra fora do quarto rindo sem concluir seu raciocínio.

Depois de um tempo ele voltou e eu retomei o assunto:

– Mati, então você gosta de mamar para sonhar?
– Sim.
– Por quê?
– Porque é mais gostosíssimo para dormir.

Em um mundo onde somos tão pressionadas em relação ao desmame, onde se critica fortemente a associação do peito com o sono infantil, eu estou feliz por ter amamentado por tempo suficiente para ouvir do meu filho (que na próxima segunda, junto com sua irmã gêmea, completa 3 anos) que mamar para dormir é algo que ele desfruta muito, que lhe faz bem. Para mim esse diálogo foi um presente e uma lição.

Ele me deu a segurança de ter escolhido o melhor caminho pra nós, cheio de benefícios para a saúde física e emocional de ambos, e também me ensinou a nunca duvidar que a natureza é perfeita e que vale a pena esperar e respeitar os tempos fisiológicos das crianças em todas as áreas.

Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

[Na data desta publicação no Blog o Matias está com 4 anos e 3 meses e ainda mama um pouco antes de dormir. A esta altura o peito começou a perder sua preponderância, as noites completas de sono são cada vez mais a regra, porém a demanda por contato físico nos eventuais despertares ainda permanece. Eles precisam de nós para se sentirem seguros. Esta é uma necessidade biológica do ser humano que deveríamos respeitar sem medo. No tempo certo eles já não precisarão da nossa ajuda. Aproveitemos o agora!]

Relato originalmente publicado nas minhas contas de Facebook e Instagram em 29 de maio de 2018.

6 comments

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  1. Denise Silva de Almeida

    Nossa como gostaria de ter tido conhecimento dessas informações antes, por pressão e falta de conhecimento dei fórmula para o meu bebê com menos de um mês, graças a Deus ele não largou o peito.

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    • gabriellegimenez

      A gente faz o melhor que pode com a informação que temos disponível, não é mesmo? Que bom que no seu caso ele não largou o peito. Precisamos fazer com que a informação continue chegando a tempo a quem precisa. A pressão para o desmame é muito grande na nossa cultura. Um abraço.

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