Uma perspectiva sobre o desmame

Uma perspectiva sobre o desmame Foto: Elliana Allon
Foto: Elliana Allon

O pediatra recomenda o desmame porque o leite materno perdeu a eficácia. A dentista para evitar que o bebê tenha cáries. A sogra pra que ele não fique muito apegado. A educadora recomenda o desmame pro bebê se adaptar mais rápido na escolinha. A psicóloga pra criança não ficar infantilizada. A colega de trabalho pro fim da licença maternidade ser mais fácil pra mãe. A nutricionista recomenda o desmame para que o bebê coma melhor. O profissional de qualquer especialidade médica para poder receitar um tratamento pra mãe. O marido pra que a esposa já não reclame de cansaço. A consultora de sono recomenda o desmame pra que o bebê durma a noite toda. A fonoaudióloga pra criança começar a falar de uma vez. A vizinha porque acha feio bebê grande mamando.

Sabem o que estas recomendações têm em comum? Todas carecem de uma evidência científica sólida que as justifique. Elas não passam de uma opinião pessoal ou profissional apoiada sobre argumentos questionáveis e de intenção duvidosa. São apenas uma amostra da ignorância e do preconceito existente em torno da amamentação. São alguns dos obstáculos que precisaremos enfrentar para que ela seja possível. Pra sociedade em geral é muito mais cômodo jogar a culpa do cansaço materno sobre a demanda do bebê do que prestar o suporte e apoio necessários para que esta mãe possa cumprir a árdua e desafiadora tarefa de criar um ser humano saudável em todos os aspectos.

Enquanto a nossa cultura continuar encarando a amamentação como a raiz de todos os males maternos e o desmame como a solução ideal de todos os seus problemas, seguiremos involuindo como espécie, afastando-nos da nossa essência, criando vínculos desconexos e frágeis com a nossa prole.

Em todo caso, a decisão do desmame é da mãe e do bebê, exclusivamente, e não do médico ou da sociedade. Então vamos parar de vender ilusão pra mães fragilizadas, já que a amamentação raramente é o real problema e o desmame não é garantia de coisa alguma. Mães precisam de apoio efetivo, não de palpites. Seja tribo e não tropeço.

Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

Fotografia de Elliana Allon @elliana_allon

Texto originalmente publicado nas minhas contas do Instagram em 6 de agosto de 2019 e do Facebook em 7 de agosto de 2019.

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