Verdadeiros problemas da recém mãe

Mae com bebe no colo. Puerperio consciente.
Ilustração: Amanda Greavette

O maior problema da recém mãe não é o bebê:

  • que chora muito e só se acalma no colo,
  • que mama 24h por dia,
  • que se retorce de gases e cólicas,
  • que golfa,
  • que não pára quieto no berço,
  • que se desperta de madrugada.

Os verdadeiros problemas da recém mãe são:

  • as idéias equivocadas sobre maternidade que lhe foram transmitidas,
  • as expectativas irreais dos adultos em relação ao comportamento dos bebês,
  • os mitos e crendices que as gerações anteriores teimam em manter vivos,
  • a falta de informação adequada sobre parto, pós-parto, amamentação e puerpério,
  • má assistência profissional,
  • rede de apoio inexistente ou deficiente,
  • os olhares de desaprovação e os comentários maldosos ao seu redor,
  • as visitas inconvenientes,
  • o pai que não exerce uma paternidade ativa, não assume tarefas da casa e faz cobranças,
  • a privação de sono somada ao peso de ter que levar adiante uma casa e a vida sozinha ou com ajuda inadequada,
  • a licença maternidade insuficiente.

Os bebês se comportam como bebês: extremamente indefesos, neurológicamente imaturos e dependentes de cuidados, contato pele a pele, peito e colo. Agora, se o bebê não é o problema, por que nossa sociedade insiste em querer consertá-lo a todo custo?

– Não pega no colo!
– Deixa chorar pra aprender!
– Tira do peito!
– É birra! Está te manipulando!
– Dá remédio, chazinho, calmante!
– Dá chupeta!
– Dá mamadeira! Dá mingau!

Sendo o elo mais frágil, termina sendo também o mais negligenciado. As tentativas de conserto para problemas inexistentes lhe causam sofrimento e angústia desnecessários.
Ao invés disso os esforços deveriam estar dirigidos a mudar o entorno imediato desta mãe. Porque ela precisa de apoio e suporte para se dedicar irrestritamente ao novo ser que chega ao mundo. E precisa de tempo para descansar tanto quanto possível, se alimentar, tomar um banho quente. Mas pra isso os adultos precisam mudar, sair da sua zona de conforto, assumir responsabilidades. E isso ninguém quer. Mais fácil deixar a mãe sozinha e ainda culpá-la por seu fracasso, por se sentir cansada, por desejar uma vida diferente da que tem agora.

Às grávidas e tentantes: busquem informação, se empoderem, treinem sua rede de apoio presencial em sintonia com suas expectativas e desejos em relação ao parto, à amamentação e sua opção de maternagem.

Às recém mães e as nem tanto: não sofram caladas, não se culpem, busquem ajuda, dialoguem, exijam respeito e apoio, se afastem de quem não acrescenta e só as põem pra baixo. Vocês merecem todo o suporte para poderem levar adiante a maternidade com mais leveza.

A primeira infância é demandante. Embora breve é a fase mais importante no desenvolvimento do ser humano. E passa rápido. Aguentemos firmes sendo as melhores mães que podemos chegar a ser. Nem mais, nem menos.

Texto de Gabrielle Gimenez @gabicbs

Ilustração de Amanda Greavette @amandagreavette

Texto originalmente publicado nas minhas contas do Facebook e Instagram em 17 de janeiro de 2018.

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