Colostro é leite!

Colostro. Primeira fase do leite materno.
Foto: Elisa Elsie – Duas Estúdio

Levando em conta que a ocitocina, também conhecida como hormônio do amor, é um dos hormônios envolvidos na amamentação (junto com a prolactina), tem tudo a ver dizer que o colostro (primeira fase do leite materno) é a manifestação do amor em forma de gotas, dada a sua pequena quantidade de apresentação. Ele é chamado de ouro líquido, pela sua coloração e seu valor incalculável, e considerado a primeira vacina do bebê.

O colostro é produzido durante os primeiros 3 a 4 dias após o parto. É um líquido amarelado e espesso de alta densidade e baixo volume. Nos 3 primeiros dias pós-parto o volume produzido é de 2 a 20 ml por mamada, sendo suficiente para satisfazer as necessidades do recém-nascido. A transferência de leite inferior a 100 ml noprimeiro dia, aumenta significativamente entre 36 e 48 horas após o parto e, se nivela a umvolume de 500-750 ml / 24 horas aos 5 dias pós-parto.

O colostro contém menos quantidades de lactose, gordura e vitaminas hidrossolúveis que o leite maduro, contendo mais proteína, vitaminas lipossolúveis (E, A, K), carotenos e alguns minerais como sódio e zinco. O beta-caroteno dá a cor amarelada e o sódio um sabor levemente salgado.

As proteínas Ig A e lactoferrina se apresentam em quantidade elevada no colostro e, embora sejam diluídas com o aumento da produção de leite, uma produção diária de 2-3 g de IgA e lactoferrina é mantida. Junto aos oligossacarídeos, que também são elevados no colostro (20 g / L), uma grande quantidade de linfócitos e macrófagos (100.000 mm3) dão ao recém-nascido uma proteção eficiente contra os germes do meio ambiente.

O colostro é ajustado às necessidades específicas do recém-nascido:

  • facilita a eliminação de mecônio;
  • facilita a reprodução de lactobacillus bífido no lúmen intestinal do recém-nascido;
  • antioxidantes e quinonas são necessários para protegê-lo de danos oxidativos e doença hemorrágica;
  • as imunoglobulinas cobrem o revestimento interno imaturo do trato digestivo, prevenindo a aderência de bactérias, vírus, parasitas e outros patógenos;
  • o pequeno volume permite que a criança organize progressivamente seu tríptico funcional, sucção-deglutição-respiração;
  • os fatores de crescimento estimulam a maturação dos próprios sistemas da criança;
  • os rins imaturos do recém-nascido não podem processar grandes volumes de fluido; tanto o volume do colostro como a sua osmolaridade são adequados à sua maturidade.

O colostro, como o leite que o sucede, age como um moderador do desenvolvimento do recém-nascido.*

A espera pelo início do trabalho de parto (ainda que o desfecho seja uma cesárea), contato pele a pele imediato pós-parto, amamentação dentro da primeira hora de vida, alojamento conjunto, incentivo e apoio ao aleitamento materno exclusivo, sem uso de fórmula ou bicos, são práticas que favorecem a que o bebê receba toda essa riqueza que a natureza tem preparada desde sempre e que o homem (a indústria) jamais será capaz de imitar.

Por Gabrielle Gimenez @gabicbs

Publicado originalmente nas minhas contas do Facebook e Instagram em 31 de março de 2018.

*Trecho em destaque extraído e adaptado do Manual de Lactação para Profissionais de Saúde. Comissão de amamentação MINSAL, UNICEF. Editores C. Shellhorn, V.  Valdés. Ministério da Saúde, UNICEF, Chile. Tradução de Gabrielle Gimenez.

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